Sucralose faz mal? O que dizem EFSA, JECFA e Anvisa
O limite diário, o estudo de 2023 e o cuidado com calor alto

Resposta rápida
Os órgãos que avaliam aditivos fixaram para a sucralose uma ingestão diária aceitável (IDA) e não apontaram preocupação de segurança para os usos atuais. Em fevereiro de 2026, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluiu a reavaliação do adoçante, manteve a IDA de 15 mg por quilo de peso corporal e registrou que a exposição estimada da população europeia fica abaixo desse limite, sem preocupação de segurança nos usos autorizados. O comitê conjunto de especialistas em aditivos da FAO e da Organização Mundial da Saúde (JECFA) adota o mesmo valor de 15 mg por quilo.
A reavaliação da EFSA de 2026 deixou uma ressalva: há incerteza sobre o que acontece com a sucralose sob aquecimento prolongado em temperatura alta, inclusive no forno e na fritura feitos em casa.
O que é a sucralose
A sucralose é um edulcorante de alta intensidade feito a partir do açúcar comum, com átomos de cloro na molécula. Segundo a FDA, a agência de alimentos dos Estados Unidos, ela é cerca de 600 vezes mais doce que o açúcar. Por isso a quantidade usada num alimento é muito pequena, e ela praticamente não acrescenta calorias.
No Brasil, a sucralose está entre os 27 edulcorantes autorizados pela Anvisa na Instrução Normativa nº 211/2023. Um documento técnico da própria Anvisa, de setembro de 2024, registra que os edulcorantes de alta intensidade são os mais frequentes nos alimentos industrializados do país, com destaque para a sucralose e o acessulfame de potássio.
O que diz a reavaliação da EFSA de 2026
Limite mantido. A IDA de 15 mg por quilo por dia não mudou. Para uma pessoa de 70 kg, isso dá 1.050 mg de sucralose por dia, todos os dias, ao longo da vida.
Genotoxicidade. O parecer afirma que, com base nos dados disponíveis, não surgiram preocupações de segurança sobre genotoxicidade da sucralose, de suas impurezas e de seus produtos de degradação.
Calor alto. A EFSA não conseguiu concluir sobre a segurança de estender o uso da sucralose para produtos de panificação industrial. O motivo é a possibilidade teórica de o cloro da sucralose passar para outras moléculas quando o aquecimento é longo e forte. O painel aplicou a mesma incerteza ao preparo doméstico com forno ou fritura e recomendou à Comissão Europeia considerar esse ponto.
O estudo de 2023 sobre o sucralose-6-acetato
Schiffman e colegas publicaram em 2023, no Journal of Toxicology and Environmental Health, Parte B, testes de laboratório com o sucralose-6-acetato, uma substância que aparece como impureza da sucralose e que, segundo os autores, também se forma no intestino. Em células cultivadas, os autores observaram dano ao DNA e pediram revisão do status regulatório do adoçante.
A EFSA citou o estudo de Schiffman na reavaliação de 2026. O parecer classifica o sucralose-6-acetato entre as impurezas controladas pela especificação europeia e, com os dados disponíveis, não registrou preocupação de genotoxicidade para a sucralose e suas impurezas.
Para continuar: Stevia faz mal? O que dizem a EFSA, o JECFA e a OMS e Aspartame faz mal? A classificação da IARC e o limite do JECFA.
Quais produtos da linha usam sucralose
Os rótulos abaixo foram conferidos um a um em 18/09/2026. A sucralose aparece na lista de ingredientes depois da palavra "edulcorante", porque a regra brasileira de rotulagem pede que o aditivo seja identificado pela função.
Whey Protein Concentrado. Os sabores aromatizados, como baunilha, chocolate belga, cookies e morango, trazem "edulcorante sucralose" na lista de ingredientes. O sabor Natural não leva edulcorante. A embalagem de 1 kg sai por R$ 145,90.
Whey Core 70%. Os três sabores (baunilha, chocolate e morango) combinam dois edulcorantes: sucralose e acessulfame de potássio. A embalagem de 900 g sai por R$ 78,90.
Pré-Treino Evolution. Os sabores disponíveis também usam sucralose e acessulfame de potássio. A embalagem de 300 g sai por R$ 48,30.
A quantidade exata de sucralose não aparece na tabela nutricional, porque edulcorante é aditivo e não nutriente. O que o rótulo informa é a presença dele.
Como ler a lista de ingredientes
Aditivos entram na lista de ingredientes identificados pela função ("edulcorante", "aromatizante", "espessante") seguida do nome ou do número INS. A sucralose tem o número INS 955, o mesmo E 955 usado na Europa.
Quando o produto usa mais de um edulcorante, a norma permite agrupá-los, como em "edulcorantes sucralose e acessulfame de potássio".

O que as diretrizes de saúde recomendam
Em 2023, a Organização Mundial da Saúde publicou uma diretriz que sugere não usar adoçantes não açucarados como meio de controlar o peso ou reduzir o risco de doenças crônicas. A recomendação é condicional, por causa da qualidade das evidências, inclui a sucralose e não se aplica a pessoas com diabetes. É uma orientação sobre estratégia de controle de peso, e não uma conclusão de toxicidade.
No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, trata os edulcorantes como ingredientes característicos dos alimentos ultraprocessados e orienta evitar o consumo desses alimentos.
Quem deve conversar com um profissional
Quem tem alguma condição de saúde, usa medicamento contínuo, está grávida ou amamentando deve conversar com médico ou nutricionista sobre o uso de produtos adoçados. O rótulo do Whey Core orienta que gestantes, lactantes, crianças, idosos e pessoas com alguma patologia consultem um médico ou nutricionista antes do consumo.
Perguntas frequentes
Sucralose faz mal?
A EFSA reavaliou a sucralose em 2026, manteve a ingestão diária aceitável de 15 mg por quilo de peso corporal por dia e não registrou preocupação de segurança nos usos autorizados, com exceção da incerteza sobre aquecimento prolongado em temperatura alta. O JECFA adota o mesmo limite.
Posso usar sucralose no forno?
Há incerteza. A EFSA registrou em 2026 dúvidas sobre a sucralose em aquecimento prolongado com temperatura alta, inclusive no forno e na fritura feitos em casa, e recomendou que o tema seja considerado pela Comissão Europeia.
O que é o sucralose-6-acetato?
É uma impureza da sucralose que, segundo os autores do estudo de 2023, também se forma no intestino. Em laboratório, esse estudo observou dano ao DNA em células. A EFSA avaliou o trabalho e não registrou preocupação de genotoxicidade em 2026.
O que significa a IDA de 15 mg por quilo?
É a quantidade que, segundo os avaliadores, pode ser ingerida todos os dias ao longo da vida sem risco apreciável. Para alguém de 70 kg, a conta dá 1.050 mg por dia. É um limite de segurança, e não uma recomendação de consumo.
Como saber se um suplemento tem sucralose?
Procure a palavra "edulcorante" na lista de ingredientes. O nome sucralose ou o número INS 955 vem logo depois.
Fontes
- EFSA Panel on Food Additives and Flavourings. Re-evaluation of sucralose (E 955) as a food additive and evaluation of a new application on extension of use of sucralose (E 955) in fine bakery wares. EFSA Journal, v. 24, n. 2, e9854, 2026. DOI: 10.2903/j.efsa.2026.9854.
- SCHIFFMAN, S. S. et al. Toxicological and pharmacokinetic properties of sucralose-6-acetate and its parent sucralose: in vitro screening assays. Journal of Toxicology and Environmental Health, Part B, v. 26, n. 6, p. 307-341, 2023. DOI: 10.1080/10937404.2023.2213903.
- FDA. Aspartame and Other Sweeteners in Food, página atualizada em 27 de fevereiro de 2025.
- Anvisa. Uso de edulcorantes em alimentos: documento para discussão regulatória. Gerência-Geral de Alimentos, setembro de 2024.
- Anvisa. Instrução Normativa nº 211, de 1º de março de 2023, lista de aditivos alimentares autorizados.
- Organização Mundial da Saúde. Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline, 2023.
- Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição, 2014.
- Rótulos e preços dos produtos Soldiers Nutrition, consultados em 18/09/2026.

