Aspartame faz mal? A classificação da IARC e o limite do JECFA
Perigo e risco: por que as duas avaliações de 2023 não se contradizem

Resposta rápida
Em julho de 2023, ao avaliar se o aspartame faz mal, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o adoçante como possivelmente carcinogênico para humanos, no grupo 2B, com base em evidência limitada. No mesmo anúncio, o comitê conjunto de especialistas em aditivos da FAO e da OMS (JECFA) avaliou o risco e manteve a ingestão diária aceitável (IDA) de 40 mg por quilo de peso corporal.
A OMS deu um exemplo: um adulto de 70 kg precisaria beber mais de 9 a 14 latas de refrigerante diet por dia, com 200 a 300 mg de aspartame cada, para passar desse limite.
O que a IARC concluiu
O grupo de trabalho da IARC se reuniu de 6 a 13 de junho de 2023, na 134ª reunião da agência. Foi a primeira vez que a IARC avaliou o aspartame.
A classificação no grupo 2B se apoiou em evidência limitada de câncer em humanos, especificamente de carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer de fígado. A agência também registrou evidência limitada em animais de experimentação e evidência limitada sobre os mecanismos possíveis.
O grupo 2B indica que a evidência existe, mas não é forte o bastante para uma classificação mais alta. A IARC identifica perigo, ou seja, se uma substância pode causar câncer em alguma circunstância. Ela não calcula quanto é preciso consumir para haver risco.
O que o JECFA concluiu
O JECFA faz a outra parte do trabalho: a avaliação de risco, que considera a quantidade consumida. Na 96ª reunião, entre o fim de junho e o início de julho de 2023, o comitê concluiu que os dados não davam razão suficiente para mudar a IDA de 0 a 40 mg por quilo de peso corporal, fixada anteriormente.
Para uma pessoa de 70 kg, esse limite equivale a 2.800 mg de aspartame por dia, todos os dias, ao longo da vida. É uma margem de segurança, e não uma quantidade recomendada.
A posição da EFSA e do INCA
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluiu em 2013 que o aspartame e seus produtos de degradação são seguros para a população geral e fixou a mesma IDA de 40 mg por quilo. O parecer registra que a exposição estimada dos consumidores fica bem abaixo desse valor.
No Brasil, depois da classificação da IARC, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) publicou nota técnica que aconselha a população a evitar qualquer tipo de adoçante artificial e a adotar uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, segundo resumo da Anvisa de 2024.
Para continuar: Sucralose faz mal? O que dizem EFSA, JECFA e Anvisa e Fenilalanina: o que é e por que o rótulo avisa "contém fenilalanina".

O que é o aspartame
O aspartame é um edulcorante de alta intensidade formado a partir de dois aminoácidos, a fenilalanina e o ácido aspártico. Segundo a FDA, a agência de alimentos dos Estados Unidos, ele é cerca de 200 vezes mais doce que o açúcar.
No organismo, ele é quebrado em fenilalanina, ácido aspártico e metanol. Esses produtos de degradação fizeram parte da avaliação da EFSA de 2013.
A advertência "Contém fenilalanina"
Pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 727/2022 da Anvisa, alimentos adicionados de aspartame devem trazer a advertência "Contém fenilalanina". O aviso existe por causa da fenilcetonúria, condição genética em que o corpo não processa bem esse aminoácido. A EFSA registra que a IDA não se aplica a essas pessoas, que precisam seguir uma dieta com pouca fenilalanina.
Os edulcorantes declarados nos rótulos da linha
Na conferência de 18/09/2026, os produtos adoçados da linha declaram estes edulcorantes na lista de ingredientes:
Whey Core 70%. Sucralose e acessulfame de potássio. A embalagem de 900 g sai por R$ 78,90.
Pré-Treino Evolution. Sucralose e acessulfame de potássio. A embalagem de 300 g sai por R$ 48,30.
Para saber se um produto tem aspartame, procure a palavra "edulcorante" na lista de ingredientes e a advertência "Contém fenilalanina" no rótulo.

A diretriz da OMS sobre adoçantes
Em 2023, a Organização Mundial da Saúde publicou uma diretriz que sugere não usar adoçantes não açucarados, incluindo o aspartame, como meio de controlar o peso ou reduzir o risco de doenças crônicas. Trata-se de uma recomendação condicional, apoiada em evidências de qualidade limitada, que exclui pessoas com diabetes preexistente. Ela trata de estratégia de controle de peso e é independente das avaliações de câncer e de toxicidade.
Quem deve conversar com um profissional
Fenilcetonúria, gravidez, amamentação, outras condições de saúde e uso contínuo de medicamentos são situações em que o consumo de produtos adoçados deve ser conversado com médico ou nutricionista.
Perguntas frequentes
Aspartame faz mal?
Dentro do limite diário, o JECFA não viu razão para mudar a avaliação de segurança e manteve em 2023 a ingestão diária aceitável de 40 mg por quilo de peso corporal. No mesmo ano, a IARC classificou o aspartame como possivelmente carcinogênico, no grupo 2B, com evidência limitada.
O que significa grupo 2B?
Que existe evidência de que a substância possa causar câncer, mas ela é limitada. A classificação da IARC mede perigo e não diz quanto é preciso consumir para haver risco.
Quanto aspartame é o limite diário?
A IDA do JECFA e da EFSA é de 40 mg por quilo de peso corporal. Para 70 kg, são 2.800 mg por dia. Segundo a OMS, isso corresponde a mais de 9 a 14 latas de refrigerante diet.
Por que o rótulo avisa "Contém fenilalanina"?
Porque o aspartame libera fenilalanina, e pessoas com fenilcetonúria precisam controlar esse aminoácido. A advertência é obrigatória pela RDC nº 727/2022.
Como saber se um produto tem aspartame?
Procure a palavra "edulcorante" na lista de ingredientes, seguida do nome ou do número INS 951, e a advertência "Contém fenilalanina" no rótulo. Nos wheys e pré-treinos da Soldiers conferidos em 18/09/2026, os edulcorantes declarados são sucralose e, em alguns, acessulfame de potássio.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde. Aspartame hazard and risk assessment results released. Nota de 14 de julho de 2023.
- IARC. Summary of findings: aspartame. IARC Monographs, v. 134, 2023.
- EFSA. Aspartame, página temática sobre o parecer científico de 2013.
- FDA. Aspartame and Other Sweeteners in Food, página atualizada em 27 de fevereiro de 2025.
- Anvisa. Resolução RDC nº 727, de 1º de julho de 2022, sobre rotulagem de alimentos embalados.
- Anvisa. Uso de edulcorantes em alimentos: documento para discussão regulatória. Gerência-Geral de Alimentos, setembro de 2024.
- Organização Mundial da Saúde. Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline, 2023.
- Rótulos e preços dos produtos Soldiers Nutrition, consultados em 18/09/2026.