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Taxa metabólica basal: o que é e como calcular

As equações de Harris-Benedict e Mifflin-St Jeor, com um exemplo passo a passo

Taxa metabólica basal: o que é e como calcular

Resposta rápida

Taxa metabólica basal é a menor quantidade de energia que o corpo gasta para se manter vivo em repouso: respirar, fazer o coração bater, manter a temperatura e o funcionamento dos órgãos. Ela é expressa em quilocalorias por dia e pode ser medida em laboratório ou estimada por equações que usam peso, altura, idade e sexo.

As duas equações mais usadas são a de Mifflin-St Jeor, de 1990, e a de Harris-Benedict, publicada em 1918 e 1919. Para uma mulher de 30 anos, 65 kg e 165 cm, a primeira estima cerca de 1.370 kcal por dia, e a segunda, cerca de 1.442 kcal.

O que conta como basal

O relatório sobre necessidades de energia humana da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Universidade das Nações Unidas (UNU), publicado em 2004, define a taxa metabólica basal como o gasto mínimo de energia compatível com a vida. A medida é feita com a pessoa acordada, deitada, depois de 10 a 12 horas de jejum e 8 horas de repouso físico, relaxada e num ambiente de temperatura neutra.

Segundo o relatório FAO/OMS/UNU, dependendo da idade e do estilo de vida, a taxa metabólica basal representa de 45% a 70% do gasto total de energia do dia. O restante vem da digestão dos alimentos e da atividade física.

As duas equações

A rigor, as equações de Mifflin-St Jeor e de Harris-Benedict estimam o gasto energético de repouso, medido em condições um pouco menos rígidas que as da taxa basal, mas os dois termos costumam ser usados como sinônimos na prática.

Mifflin-St Jeor (1990):

  • Homens: 10 × peso (kg) + 6,25 × altura (cm) − 5 × idade (anos) + 5
  • Mulheres: 10 × peso (kg) + 6,25 × altura (cm) − 5 × idade (anos) − 161

Harris-Benedict (1918 e 1919):

  • Homens: 66,4730 + 13,7516 × peso (kg) + 5,0033 × altura (cm) − 6,7550 × idade (anos)
  • Mulheres: 655,0955 + 9,5634 × peso (kg) + 1,8496 × altura (cm) − 4,6756 × idade (anos)

Para continuar: Caloria: o que é e quantas calorias por dia a conta indica e Déficit e superávit calórico: o que são e o que a conta não mostra.

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Exemplo de cálculo, passo a passo

Mulher de 30 anos, 65 kg e 165 cm, pela Mifflin-St Jeor:

  • 10 × 65 = 650
  • 6,25 × 165 = 1.031,25
  • 5 × 30 = 150
  • 650 + 1.031,25 − 150 − 161 = 1.370 kcal por dia, arredondando

A mesma mulher pela Harris-Benedict: 655,0955 + 621,62 + 305,18 − 140,27 = 1.442 kcal por dia, arredondando.

Homem de 30 anos, 80 kg e 178 cm: a Mifflin-St Jeor estima cerca de 1.768 kcal, e a Harris-Benedict, cerca de 1.855 kcal.

  • Mulher, 30 anos, 65 kg, 165 cm · Mifflin-St Jeor: 1.370 kcal · Harris-Benedict: 1.442 kcal
  • Homem, 30 anos, 80 kg, 178 cm · Mifflin-St Jeor: 1.768 kcal · Harris-Benedict: 1.855 kcal

A diferença entre as duas equações não é acaso. Mifflin, St Jeor e colegas, ao publicarem a nova equação em 1990 no American Journal of Clinical Nutrition, mediram o gasto em repouso de 498 adultos saudáveis de 19 a 78 anos por calorimetria indireta e observaram que as equações de Harris-Benedict superestimavam o valor medido em 5%.

Qual equação é mais precisa

Frankenfield, Roth-Yousey e Compher publicaram em 2005 no Journal of the American Dietetic Association uma revisão sistemática que comparou as quatro equações mais usadas na prática clínica. A Mifflin-St Jeor foi a mais confiável: acertou dentro de 10% do valor medido em mais pessoas, com e sem obesidade, do que as outras, e teve a menor faixa de erro.

Frankenfield e colegas fazem uma ressalva: mesmo a melhor equação comete erros relevantes quando aplicada a um indivíduo, e idosos e minorias étnicas estiveram pouco representados nos estudos. A única forma de eliminar o erro da estimativa é medir por calorimetria indireta.

A margem de erro na prática

Roza e Shizgal reavaliaram as equações de Harris-Benedict em 1984, no American Journal of Clinical Nutrition, e relataram que elas estimam o gasto em repouso de uma pessoa saudável com precisão de mais ou menos 14%. Os autores também observaram que o gasto em repouso acompanha o tamanho da massa celular do corpo.

Na prática, o resultado da equação é um ponto de partida. Duas pessoas com o mesmo peso, altura e idade podem ter taxas diferentes, porque a composição do corpo muda de uma para outra. O próprio estudo de Mifflin encontrou na massa livre de gordura o melhor preditor isolado do gasto em repouso.

O outro lado da conta

As equações estimam o gasto. O lado da ingestão aparece na tabela nutricional de cada alimento: o Whey Core da Soldiers, por exemplo, declara 125 kcal e 21 g de proteína por porção de 30 g, no sabor baunilha, e sai por R$ 78,90 na embalagem de 900 g, conferido em 18/09/2026.

Quem deve ter orientação

A taxa metabólica basal é um número de referência, e não uma meta de dieta. Quem quer ajustar a alimentação, tem alguma condição de saúde, usa medicamento, está grávida ou amamentando deve fazer isso com nutricionista ou médico.

Perguntas frequentes

O que é taxa metabólica basal?

É a energia mínima que o corpo gasta em repouso para manter funções vitais. Segundo o relatório FAO/OMS/UNU de 2004, representa de 45% a 70% do gasto total do dia.

Como calcular a taxa metabólica basal?

Por equações que usam peso, altura, idade e sexo. Na Mifflin-St Jeor, para mulheres: 10 × peso + 6,25 × altura − 5 × idade − 161. Para homens, troca-se o −161 por +5.

Qual a melhor fórmula para calcular a taxa metabólica basal?

A revisão sistemática de Frankenfield e colegas, de 2005, apontou a Mifflin-St Jeor como a mais confiável entre as quatro equações mais usadas.

Qual a diferença entre taxa metabólica basal e gasto calórico total?

A basal é só o gasto em repouso. O gasto total soma a digestão dos alimentos e a atividade física do dia.

A calculadora de taxa metabólica basal é exata?

Não. Roza e Shizgal, em 1984, relataram precisão de mais ou menos 14% para a Harris-Benedict. A única forma de eliminar o erro é medir por calorimetria indireta.

Fontes